sexta-feira, 6 de abril de 2012

Memórias culinárias II

Ouvindo o Balão Mágico, na sala de casa, na praia, curto estar só. Manhã já vem, dorme pimpão... Lembro meus filhos crianças. Saudade boa, mas uma saudade saudosa deles agora, também. Dia claro, sexta-feira santa. Santa? Não. Dirão os religiosos. Os evangélicos, bem entendido. Tempo de reflexão.
Na minha casa, em dia como hoje, nem se varria casa, limpava banheiro ou arrumava roupa. O que era um alívio, pra gente que fazia tudo, somente até meio-dia. A única coisa permitida era minha mãe fazer comida. E muita!
Peixe de coco (sempre cioba), feijão de coco, quibebe (será assim que se escreve?), salada de bacalhau; arroz, só pra completar. Vinho e sangria, pra beber.
Dado o cardápio, a receita de sangria, pra criança beber vinho:
200ml de vinho
açúcar a gosto
200ml de água ou suco de fruta, de preferência laranja.
Mistura-se tudo e serve-se geladinho.
Confesso que meu paladar se rebela - até hoje - um pouco com o refresco que o vinho passava a ser. Mas, como era sempre vinho de garrafão, muito doce, dava uma amenizada no gosto licoroso. Mas a bebida com água perdia um tanto o sabor, pro meu gosto. Prefiro com suco de laranja.
Outra hora falo de quibebe.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Memórias culinárias I

PAPA DE AMIDO
Hoje se deu uma cena interessante. Meu marido teve vontade de comer papa de maizena. Tenho 52 anos. Faz uns vinte e cinco que não faço uma papa. Me prontifiquei a fazer uma papa, pra gente tomar café, pra ele tomar a papa.
Papa é uma espécie de pudim cremoso, que se pode comer quente, frio ou gelado. Há décadas, era comida de criança com fastio ou de velho com dificuldade de mastigar. A papa pode ser de mandioca, milho, amido de milho, aveia ou qualquer outro ingrediente da preferência. Anotei a chamada papa de maizena.
Ingredientes:
2 xícaras de leite (integral, semidesnatado ou desnatado)
2 colheres de sopa rasas de amido de milho
1 gema
1 pitada de sal
açúcar a gosto
Modo de fazer
Antes de levar ao fogo brando, num papeiro (pequena panela com cabo), misturar o leite e o amido de milho até que este se dissolva por completo. Cozinhar, mexendo sempre (pode ser com colher de pau), até engrossar, ferver e soltar da panela. Servir, conforme a preferência, polvilhado com canela ou um pouco de chocolate em pó.

sábado, 15 de janeiro de 2011

algumas perguntas em torno da vida

Em madrugada insone, companhia dos últimos tempos, assisti Forrest Gump, no Corujão. Como um filme pode parecer tão melancólico, é uma pergunta que me faço. Forrest, o limitado idiota que conta histórias. Amoroso, solitário, rico. Aquele que percebe o que é complexo, mas precisa da simplicidade para entender. Não sabe o sentido da vida, mas busca: na história da sua vida, o amor. As ordens que o amor lhe dá, as explicações que seu amor compreende, a sensibilidade no toque, as proibições morais. Sua desimportância importante. Pouco mudamos na vida. Pouco mudamos da vida. Quando doeu demais, Forrest correu e correu. Porque não sabia o que fazer. Muitos acharam que era ele quem sabia exatamente o que fazer.

A pessoa gorda tem medo de ter fome. Tem medo de ter fome porque tem sede de vida. Come mais do que precisa porque sabe que é a comida que lhe dá energia pra continuar o caminho. Não sabe bem o que fazer, ao longo do caminho. Às vezes não consegue fazer nada: só tem medo ou somente chora ou somente pensa no que pode fazer, buscando atalhos que não existem. Não existe atalho para o futuro. Na infância, desejei o futuro, na adolescência, desejei o futuro. Como adulta, criei filhos, tive marido. Esperei o futuro. Vivi a vida acreditando que podia mudar alguns valores do mundo. Uso chinelo de couro e roupa fora do padrão ocidental pra demonstrar que me sinto diferente, mas ando em grupos, o que me faz igual.

Hoje queria o passado para mudar o que acho foram erros. Pra reformular até meus próprios sentimentos. Porque não nos é dado o direito de calcular cada passo, a caminho do acerto, é outra pergunta que me faço. Fazemos o que nossos pais não fizeram ou reproduzimos o que nos ensinaram. Muitas vezes, fazemos o contrário do que eles fizeram. Meu pai viveu a vida toda num emprego. Minha mãe o criticava: acomodou-se, num único trabalho. Tentei não me acomodar, mas não me interessam grandes responsabilidades, com muito poder e pouco dinheiro, dentro de uma instituição. Mas este é um sentido pra vida de muita gente. Quero ser parte de, dizer como sinto, mudar o caminho, meu e das pessoas com quem convivo. De novo, o futuro: talvez se eu ganhasse mais... Seria feliz, é minha terceira pergunta de agora. Entenderia melhor a vida, quem sabe. Forrest Gump não entendeu a vida, mas foi capturado por ela, reconhecido, condecorado, bem sucedido. Depois dos grandes eventos, a vida continua. E o que ficou foi o amor. Um amor sincero, que existiu sempre, com afastamentos e aproximações. O amor nos acompanha, mas não é o mais importante, porque buscamos o tempo todo nos instalar na vida, ser reconhecidos pelos outros. Movidos pela paixão, necessária para acelerar o coração e oferecer sensação de saciedade, dispensável quando nos leva a extremos que podem magoar, a nós ou aos outros. Dispensada também quando pode matar. O amor pode sempre esperar, quando é incondicional, então, nunca é priorizado. Conviver é importante, mas difícil. A quem amamos, queremos mudar. Com quem apenas convivemos, aceitamos o jeito de ser. Podemos aceitar o jeito de ser de quem amamos, para convivermos. Mas não é assim que se dá. Forrest (com dois erres, é minha quarta pergunta) conviveu e amou, lutou sem acreditar, somente porque achou que era o certo.

Forrest é tomado, em toda a vida, por uma completa idiotia, conquista tudo o que as pessoas inteligentes gostariam de conquistar. Pessoas inteligentes nem sempre conseguem desembaçar o foco para alcançar suas metas: se distraem com atrações paralelas, sempre aquelas que mais fascinam. Pessoas inteligentes nem sempre querem ou conseguem o sucesso, ganhar dinheiro, viajar, ter casa bonita. Mas precisam ter, pelo menos, um jardim pra cuidar, um cão ou um gato pra cuidar. Tudo isso pra acompanhar o chamado viver da vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

um ano novo traz coisas velhas:

rupturas e expectativas, laços que se desfazem, velhos nós se reencontra, cegos, não se desata.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

é dentro de cada um que o ano novo cochila e acorda, todo dia

esperança
esperançar
experimento
experimentar
experimentação
esperanceio
esperanceias
esperanço
esperanceamos
esperanceiais
esperimentarão
espera
esperando
espero

em quinze de dezembro

hoje é dia difícil. dia internacional de cabular responsabilidades, alguém falou. simplesmente porque não dá pra ver ninguém, a não ser o povo de casa. simplesmente porque não dá. vai passar.